O Melhor das Copas


Vitória alemã

Em nossa viagem pelo tempo, voltamos a 1954, na Suíça, em mais uma Copa do Mundo. Nas quatro edições anteriores, dois títulos do Uruguai e dois da Itália. Agora, seria a vez da Hungria, considerada a melhor seleção do mundo, ser a campeã? Se alguém acha que sim, esqueceu de combinar com a Alemanha, que, na decisão, saiu perdendo por 2 a 0 para a Hungria, mas depois virou para 3 a 2 e garantiu o primeiro título dos germânicos. A final ocorreu no Estádio Wankdorft, na cidade de Berna. O artilheiro da Copa foi húngaro, o atacante Kocsis, com 11 gols. Mas a Taça Jules Rimet foi para as mãos dos alemães. O terceiro lugar ficou com a Áustria e o quarto, com o Uruguai.

Na primeira fase, a Alemanha tinha levado 8 a 3 da Hungria, mas, nas outras partidas, o time treinado por Sepp Herberger saiu-se muito bem. Já os húngaros, antes da final, realizaram grande campanha e eliminaram duas forças tradicionais no futebol: Brasil e Uruguai, nas quartas-de-final e semifinais, respectivamente.

A Alemanha da final jogou com: Turek; Posipal, Liebrich e Kohlmeyer; Eckel e Mai; Rahn, Morlock, Otrich Walter, Fritz Walter e Schäfer. A Hungria, do técnico Gustav Sebes, perdeu com: Grosics; Buzánsky, Lórant e Lantos; Bozsik e Zakarias; Czibor, Kocsis, Hidegkuti, o cracaço Puskas e Tóth.

Dois ídolos

Hoje, recordamos mais dois grandes craques das Copas do Mundo:

Johan Cruyff - Maior jogador holandês de todos os tempos, o meia-atacante iniciou a carreira no Ajax, de Amsterdã. Conquistou vários títulos da Liga nacional e da Copa da Holanda. No início dos anos 70, comandou o Ajax na obtenção do tricampeonato da Copa dos Campeões da Europa (1971, 1972 e 1973). Além destes títulos continentais, ganhou o Mundial Interclubes de 1972, na decisão contra o forte Independiente, da Argentina. Transferido ao Barcelona no ano seguinte, virou ídolo do clube catalão ao vencer o Campeonato Espanhol de 1974. No mesmo ano, disputou sua única Copa do Mundo. E encantou o planeta com o “futebol total” da Seleção Holandesa, ao lado de jogadores como Neeskens e sob o comando do genial técnico Rinus Michels.

Naquele Mundial, a Holanda foi derrotada na final pela Alemanha, que sediava a competição. Mesmo assim, os holandeses deixaram a marca de um futebol revolucionário, com troca de posição constante entre os jogadores. Era a Laranja Mecânica, onde Cruyff brilhava com a camisa 14.

Romário - O “baixinho” surgiu no Vasco da Gama. Estreou nos profissionais do clube carioca em 1985. Ainda jovem, Romário despontava como um grande artilheiro. Apesar da baixa estatura, impressionava pela alta qualidade técnica e ótima velocidade. Ajudou o Vasco a ser bicampeão carioca em 1987 e 1988. Após o bom desempenho na Olimpíada de Seul, onde o futebol brasileiro ficou com a medalha de prata, transferiu-se ao PSV Eindhoven. Fez sucesso no clube holandês, mas sofreu uma grave lesão antes da Copa do Mundo de 1990, na Itália. Embora tenha ido ao Mundial, não pôde mostrar o melhor do seu futebol.

Três anos depois, foi contratado pelo Barcelona, onde jogou na grande equipe do técnico Johan Cruyff. Campeão e artilheiro do Campeonato Espanhol de 1994, Romário era a principal esperança brasileira para o Mundial dos Estados Unidos. Afinal, no último jogo das Eliminatórias, em 1993, ele havia marcado os dois gols que classificaram o Brasil, diante do Uruguai (contra os uruguaios, Romário também fez o gol do título da Copa América, em 1989 - título que o Brasil não conquistava havia 40 anos).

No Mundial de 1994, o “baixinho” provou toda a confiança depositada nele. Marcou cinco gols e trouxe a Copa para o Brasil, depois de 24 anos de espera. Romário, posteriormente, defendeu clubes como Flamengo, Valência, Fluminense e Vasco, aonde retornou para ser campeão brasileiro e da Copa Mercosul, no ano 2000. Também no Vasco, foi goleador do Brasileirão em 2001 e 2005.

 Escrito por Nelson Treglia às 20h02 [] [envie esta mensagem]






Tragédia inigualável

O Brasil foi o país-sede da quarta Copa do Mundo da história, em 1950. A terceira edição do evento havia acontecido 12 anos antes, na França, como acompanhamos em nossa última edição. Entre 1930 e 1938, a Copa foi realizada de quatro em quatro anos, como ocorre atualmente. Mas a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) impediu a continuidade dessa rotina, que acabou sendo retomada a partir de 1950.

Um ano antes, em 1949, o Brasil jogou em casa o Campeonato Sul-Americano e conquistou o título com várias goleadas e um grande futebol. O torneio continental era, acima de tudo, um ensaio para a Copa do Mundo que aconteceria dentro do Brasil. Em 1950, nossa seleção iniciou a temporada diante do Uruguai, em jogo válido pela Copa Rio Branco no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Os uruguaios ganharam por 4 a 3, mas os brasileiros se recuperaram e venceram os dois jogos seguintes contra a Celeste, conquistando o título do torneio.

Na Copa do Mundo, o time brasileiro construiu um bom início de campanha. Estreou com goleada sobre o México, por 4 a 0. É bem verdade que o Brasil, no segundo jogo, enfrentou dificuldades contra a Suíça: empatou em 2 a 2. Mas, na terceira partida, uma nova vitória: 2 a 0 sobre a Iugoslávia. Por falar em times europeus, uma grande decepção do Mundial foi a Inglaterra, que participava do evento pela primeira vez. Inventores do futebol, os ingleses pagaram pelo isolacionismo dos anos anteriores. A derrota do time britânico para os Estados Unidos, no Mundial realizado no Brasil, ficou marcada como uma das maiores zebras de todos os tempos. Os norte-americanos venceram por 1 a 0, gol de Larry Gaetjens.

Pela primeira e única vez numa Copa do Mundo, o torneio seria decidido num quadrangular por pontos corridos, em turno único. Os finalistas eram Brasil, Espanha, Suécia e Uruguai. O time brasileiro, treinado por Flávio Costa, impôs duas goleadas extraordinárias: 7 a 1 contra a Suécia e 6 a 1 sobre a Espanha. No terceiro e último jogo, o Brasil enfrentaria o Uruguai, que tinha vencido a Suécia (3 a 2) e empatado com a Espanha (2 a 2). Como na época a vitória valia dois pontos, os donos da casa somavam quatro pontos e os celestes, três. Para ser campeão, o Brasil contava com a vantagem do empate diante do Uruguai, no recém inaugurado Maracanã.

Em 16 de julho de 1950, a nossa seleção entrava em campo com: Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir de Menezes (goleador da Copa com nove gols), Jair Rosa Pinto e Chico. O Uruguai, treinado por Juan López, jogou a decisão com: Máspoli; Matias González e Tejera; Gambetta, Obdulio Varela e Andrade; Gigghia, Julio Pérez, Míguez, Schiaffino e Morán. Quase 200 mil pessoas compareceram ao Maracanã e esperavam a grande vitória da Seleção Brasileira, considerada favorita. E o Brasil abriu o placar com Friaça. Mas o Uruguai empatou com Schiaffino e virou com Gigghia. O segundo gol dos visitantes desgraçou o goleiro Barbosa, que passou a ser tido como um amaldiçoado. O carrasco Gigghia e os demais jogadores uruguaios comemoraram o segundo título da Celeste na Copa do Mundo. A Suécia terminou em terceiro lugar e a Espanha, em quarto. Já o Brasil acabou a competição da mesma forma que havia iniciado a temporada: com derrota para o Uruguai. Uma tristeza incomparável, que seria superada oito anos depois.

O craque do banco
Em nossas edições anteriores, recordamos alguns craques de Copa. Hoje, prestamos homenagem a um treinador fantástico: o mestre Telê Santana, falecido na última sexta-feira. Dirigiu a Seleção Brasileira nos Mundiais de 1982 (com a equipe marcante que tinha Falcão, Sócrates e Zico) e 1986. Foi campeão estadual nos quatro principais centros do futebol brasileiro: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul (pelo Grêmio) e São Paulo. Conquistou a primeira edição do Brasileirão pelo Atlético/MG, em 1971, e repetiu a dose pelo São Paulo, 20 anos depois. No Tricolor paulista, obteve também duas Libertadores e dois Mundiais, igualando-se ao Santos de Pelé.

 Escrito por Nelson Treglia às 15h35 [] [envie esta mensagem]




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