O Melhor das Copas


Glória brasileira

Em 1993, treinada por Carlos Alberto Parreira, a Seleção Brasileira passou pelas Eliminatórias com dificuldades. O melhor jogador brasileiro em atividade na época, o atacante Romário, só foi aproveitado na última partida, contra o Uruguai, quando ele teve uma atuação magistral e marcou os dois gols da classificação. Neste jogo, Romário provou que era fundamental para a Seleção.

No Mundial dos Estados Unidos, em 1994, o Brasil estreou com vitória: 2 a 0 sobre a Rússia. Romário desequilibrou. Fez o primeiro gol e sofreu o pênalti do segundo, cobrado com perfeição pelo meia Raí. Contra os russos, o zagueiro Ricardo Rocha sofreu lesão e acabou substituído por Aldair, que, a partir de então, jogaria como titular até o final da participação brasileira.

O segundo jogo do escrete foi contra Camarões: 3 a 0 para os verde-amarelos, gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto. Classificado para as oitavas-de-final, o Brasil enfrentou a Suécia no encerramento da fase inicial. Nossa seleção saiu atrás, mas empatou com Romário. Com o 1 a 1, garantiu o primeiro lugar de sua chave.

4 de julho

Vieram as oitavas contra os donos da casa. Os Estados Unidos, sem tradição no futebol, mostraram que haviam evoluído na modalidade. Além disso, o confronto estava marcado para 4 de julho, dia da independência dos EUA. Motivados, os norte-americanos criaram dificuldades para o Brasil, que, no primeiro tempo, perdeu o lateral-esquerdo Leonardo, expulso. Mazinho, que havia assumido a titularidade no lugar de Raí, foi para a lateral. No segundo tempo, em jogada de Romário, o atacante Bebeto fez o único gol da partida. O alívio mesmo ocorreu quando o norte-americano Clavijo foi expulso, aos 41 da etapa final.

Garantido nas quartas, o Brasil teria que enfrentar a forte Holanda no jogo seguinte. E que jogo. No segundo tempo, o time brasileiro abriu vantagem de 2 a 0, com gols de Romário e Bebeto. Mas os holandeses buscaram o empate. O lateral Branco, substituto de Leonardo, superou a desconfiança dos críticos e marcou um golaço de falta aos 36 da etapa final: 3 a 2, placar definitivo.

A seleção de Parreira chegava às semifinais. Novamente a Suécia seria o adversário. Os suecos, aliás, armaram uma forte retranca. O tão esperado gol brasileiro só saiu aos 35 do segundo tempo, quando a Suécia já tinha um jogador a menos. Romário, de cabeça, sacramentou a classificação à final.

Nos pênaltis

Na decisão, o encontro com um rival histórico. Em 21 de junho de 1970, o Brasil conquistou o tricampeonato diante da Itália: 4 a 1. Em 1982, nossa seleção caiu nas quartas diante da azzurra: 3 a 2. Na final em terras norte-americanas, um jogo sem gols: 0 a 0, após 120 minutos de disputa. Nos pênaltis - pela primeira vez, o título era definido através deles -, a Itália errou três cobranças. Na última cobrança, o craque Roberto Baggio chutou para fora. Brasil 3 x 2 Itália nos pênaltis. Fim do jejum após 24 anos. O Estádio Rose Bowl, em Los Angeles, serviu de palco para a festa brasileira no dia 17 de julho de 1994. O capitão Dunga levantou a Taça Fifa, troféu até então inédito para nosso país. Brasil, primeiro tetracampeão mundial.

A seleção de Parreira jogou a final com: Taffarel (que defendeu um pênalti na definição contra a Itália); Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Viola); Bebeto e Romário. A Suécia terminou em terceiro e a Bulgária, em quarto. O búlgaro Hristo Stoichkov e o russo Oleg Salenko, ambos com seis tentos, foram os artilheiros do torneio.

 Escrito por Nelson Treglia às 22h42 [] [envie esta mensagem]






Sinônimo de gênio

Nesta coluna, lembramos jogadores importantes das Copas do Mundo. Mas nenhum deles igualou-se ao Rei Pelé. Edson Arantes do Nascimento é o único jogador a vencer três Mundiais de seleções, em 1958, 1962 e 1970. Além disso, pelo Santos, conquistou o bicampeonato da Copa Libertadores e da Intercontinental, em 1962 e 1963. No clube paulista, venceu seis títulos nacionais (cinco Taças Brasil e um Robertão), vários estaduais e foi goleador de inúmeros campeonatos.

Mas não são apenas os títulos que ajudam a definir a dimensão de um jogador. No caso de Pelé, os campeonatos obtidos são uma conseqüência natural de duas coisas: o Rei atuou ao lado de grandes jogadores, mas, além disto, ele foi o maior de todos os jogadores. Ou seja, Pelé foi um vencedor porque, dentro de campo, era dono de uma condição técnica que serve de parâmetro máximo. Chegou à marca dos 1000 gols em 1969, no famoso pênalti batido no Maracanã contra o goleiro argentino Andrada, do Vasco do Gama. E ampliou consideravelmente esse número nos últimos anos de sua trajetória no futebol. Em 1977, o Rei encerrava a carreira no Cosmos, dos Estados Unidos, com cerca de 1300 gols marcados.

Pelé também é o maior goleador da Seleção Brasileira em todos os tempos, com quase 100 gols. Mas os números, apesar de enfáticos, ainda não são suficientes para sabermos o que o Rei realizava no gramado. Ele chutava muito bem com os dois pés, cabeçeava com maestria. Tinha força, velocidade, domínio de bola invejável e marcava gols de falta. Era dono de uma visão de jogo apurada. Embora fosse meia-atacante, sabia até mesmo jogar como goleiro. Também sabia deixar os companheiros na cara do gol. Era criativo, autor de jogadas e gols artísticos.

As inúmeras vitórias e a altíssima qualidade técnica, aliada a uma inteligência incomum para a prática do futebol, transformaram o apelido Pelé em sinônimo de gênio. Tanto é verdade que ele chegou a receber o título de maior atleta do século 20. Quem for chamado de o “Pelé” da música, da culinária, da literatura ou de qualquer outra atividade, pode considerar-se o melhor de todos.

Alemanha tricampeã

Hoje, recordamos a Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália. O Brasil do técnico Sebastião Lazaroni havia adotado o líbero, função que não fazia parte das tradições do nosso futebol. Mas ruim mesmo era o fato de o plantel brasileiro estar preocupado demais com ganhos financeiros. Assim, as coisas tinham que dar errado. Eliminado pela Argentina nas oitavas-de-final, o time canarinho chegava ao fundo do poço: era a pior campanha brasileira desde o fracasso retumbante de 1966.

Os argentinos, novamente treinados por Carlos Bilardo e liderados por Diego Maradona, chegariam à final depois de uma campanha repleta de dificuldades e superação. Na semifinal, eliminaram os italianos, donos da casa, que perderam uma grande chance de serem os primeiros tetracampeões da história. A Argentina garantiu a vaga para a final nos pênaltis. Também através das penalidades, a Alemanha passou pela Inglaterra na outra semifinal. Mas a trajetória germânica na Copa era superior à campanha dos argentinos.

Mesmo assim, Alemanha e Argentina - que repetiam a final de quatro anos antes - fizeram um jogo que só definiu-se num lance polêmico. A arbitragem marcou um pênalti duvidoso quando tudo parecia encaminhar-se para a prorrogação. Brehme foi para a cobrança e fez o gol do título: 1 a 0, Alemanha tricampeã do mundo. Os italianos derrotaram os ingleses na decisão do terceiro lugar e tiveram o goleador do certame: Salvatore “Totó” Schillaci, com seis gols. A equipe alemã, treinada por Franz Beckenbauer, jogou a final do Estádio Olímpico (em Roma) com: Illgner; Aughentaller, Buchwald e Kohler; Berthold (Reuter), Hässler, Mathäus, Littbarski e Brehme; Völler e Klinsmann.

 Escrito por Nelson Treglia às 20h29 [] [envie esta mensagem]




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